🎧 A virada histórica de Lula presidente do Brasil pela quarta vez
Em poucas palavras
Entrevistado: Thomas Traumann, comentarista da GloboNews e colunista de O Globo.
Lula (PT) foi reeleito em 25 de outubro, na madrugada de 26, com 51,79% (64.256.232 votos) dos votos válidos contra 48,21% (59.826.041 votos) de Flávio Bolsonaro (PL). É o primeiro presidente eleito quatro vezes e o primeiro a vencer depois de terminar o 1º turno em segundo lugar, nas Eleições Presidenciais de 2026.
Natuza Nery e Thomas Traumann analisam o que explica a virada, a arrogância da campanha de Flávio, o papel de André Janones e das ruas, o discurso de não reconhecimento do resultado e os desafios do novo mandato: mercado, Congresso, Estados Unidos e big techs.
📝 Notas e Insights
A noite da apuração
- A totalização começou depois da prorrogação da votação, que o episódio atribui a uma decisão de Cristiano Zanin. O resultado ficou próximo ao longo da apuração, e Flávio chegou a aparecer na frente antes de Lula virar.
- Com 100% das urnas apuradas, Lula teve 51,79% e Flávio, 48,21%, segundo o TSE.
- Lula teve em torno de 10 milhões de votos a mais que no 1º turno, e vantagem de cerca de 4 milhões sobre Flávio.
- Segundo o episódio, a abstenção e os votos brancos e nulos foram os menores em cerca de 20 anos.
O que explica a virada
- Rejeição ao bolsonarismo: para Thomas Traumann, é a “diretriz que une tudo”. Assim como 2022 foi mais uma derrota de Jair Bolsonaro que uma vitória de Lula, 2026 foi de novo uma derrota do bolsonarismo.
- Dois turnos distintos:
- Falar com os eleitores de outros candidatos: a campanha de Lula falou, com mais humildade, com os eleitores que tinham votado em Caiado, Renan Santos e Augusto Cury e antecipado o voto em Flávio.
- A arrogância do adversário: Flávio tratou o 2º turno como formalidade.
- “Eleição do medo”: é o nome que Thomas Traumann dá à eleição. Para ele, quem votou em Lula sente mais alívio que alegria.
Janones, o Exército do Lula e as ruas
- O canal Exército do Lula, de André Janones, tinha cerca de 10,8 milhões de inscritos, contra 2 milhões da Tropa do Flávio, tocada por Nikolas Ferreira, segundo o episódio.
- Para Thomas Traumann, o canal foi essencial para reduzir a abstenção e os votos brancos e nulos. Além de mobilizar, ensinou a usar as redes: não repercutir o ataque do adversário. Ele compara o papel de André Janones ao de Carlos Bolsonaro no Telegram em 2018.
- As manifestações estudantis começaram logo depois do 1º turno, em Niterói, e se espalharam sem convocação do PT ou das centrais sindicais. A campanha só percebeu a importância delas quando chegaram à Avenida Paulista.
Os discursos depois do resultado
- Lula citou primeiro Geraldo Alckmin, mencionou jovens, idosos e mulheres e criticou as empresas de tecnologia que, segundo ele, tentaram direcionar o resultado. Prometeu dar espaço grande à comunicação digital no governo.
- Na leitura de Thomas Traumann, o “Lula do século XX” não vale mais: ele entendeu que as ruas e as redes o levaram à vitória.
- Flávio não reconheceu o resultado e falou em pedir a anulação, apesar de uma diferença de cerca de 4 milhões de votos.
- A campanha de Lula e a de Flávio pediram a prorrogação da votação, por transporte público e por chuvas.
- Segundo o episódio, Kassio Nunes Marques sinalizou que não decidiria, e o pedido do PT foi ao STF, distribuído por Edson Fachin a Cristiano Zanin. A decisão saiu às 17h02 e prorrogou a votação até as 19h nas seções ainda abertas.
- Para Thomas Traumann, a anulação não se sustenta juridicamente, mas o discurso é uma irresponsabilidade e pode estimular protestos como os de 2022.
Desafios do novo mandato
- Mercado: dólar em alta e bolsa em queda logo na segunda-feira, com o temor de um governo mais gastador, depois das promessas de gastos sociais da campanha.
- Congresso:
- Até fevereiro, quando toma posse o novo Congresso, Lula ainda conta com os presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados e pode precisar fazer concessões, como indicar Rodrigo Pacheco ao STF.
- Depois, o Senado com 28 senadores do PL será uma ameaça permanente, com pedidos de impeachment de ministros do STF e do próprio presidente.
- Nikolas Ferreira já escreveu em rede social que haverá “mais um impeachment” no ano que vem.
- Estados Unidos:
- Para Thomas Traumann, o secretário de Estado Marco Rubio estava envolvido com a campanha de Flávio, e a reação inicial do governo americano deve ser dura, com possível endurecimento nas negociações do tarifaço.
- Lula, no geral, sempre poupou Trump no discurso e mirou em Rubio.
- Presidentes de direita da América Latina parabenizaram Lula; o governo americano e Javier Milei, até a gravação, não.
- Big techs: o Conselho de Supervisão da Meta admitiu falhas de moderação nas eleições brasileiras, como a aplicação excessiva de regras antifraude contra a conta de anúncios de Lula.
💭 Minhas impressões
Essas eleições, classificadas como as eleições do medo, parecem marcar mais do que apenas o medo mas também sedimentar o papel das redes sociais no debate público (com ou sem direcionamento das empresas). Além disso, fica claro, na minha visão, de que Lula não terá um mandato fácil e que certamente terá mudanças na forma de operar dado os acontecimentos entre o primeiro e segundo turno das Eleições Presidenciais de 2026. Resta saber se esse será um bom governo e se realmente Lula vai conseguir equilibrar políticas públicas e o orçamento federal.
📚 Referências e Fontes
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