🎧 O quarto mandato de Lula vitória nas urnas e futuro do governo
Em poucas palavras
Entrevistada: Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor Econômico e comentarista da CBN e da GloboNews.
Com Lula (PT) reeleito por mais de 4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro (PL), o episódio busca explicar a virada depois de um 1º turno perdido: a queda da alienação eleitoral, o voto contra o bolsonarismo, a mobilização digital e o debate do “nove dedos”.
A análise passa ainda pela reação do mercado, pelas apostas para a política fiscal, pela resistência de Donald Trump em reconhecer o resultado e pelo futuro do PL e da família Bolsonaro.
📝 Notas e Insights
Por que Lula virou
- A pesquisa Quaest mostrou a rejeição de Lula caindo de 53% para 47% na reta final, quando o governo apostou no fim da Escala 6x1, no reajuste do Bolsa Família e no perdão de dívidas de microempreendedores.
- Cinco entregadores de aplicativo ouvidos por Maria Cristina Fernandes depois do 1º turno, inclusive os que votariam em Flávio, consideravam o fim da jornada 6x1 essencial.
- No último debate, Lula reagiu à provocação de “nove dedos” lembrando que perdeu o dedo aos 17 anos, trabalhando. As pesquisas de véspera não mediram o efeito, mas as qualitativas depois mostraram que pegou.
- Menos alienação eleitoral: a soma de abstenções, brancos e nulos caiu, com a volta de jovens e idosos às urnas. Lula também avançou entre evangélicos e brancos, eleitorado majoritariamente bolsonarista.
- Ele teve 64 milhões de votos, contra 60 milhões em 2022, e 51,7% dos válidos, contra 50,9%.
- Segundo a entrevistada, o eleitor da terceira via foi mais para Lula que o previsto, e o voto de Flávio avançou pouco. Para ela, foi uma votação sobretudo contra o bolsonarismo, que agora somou o rechaço ao próprio Flávio, e não uma redenção do PT.
- O mercado e a imprensa confiaram demais nas pesquisas, que davam Flávio como favorito.
Mobilização digital e formação do governo
- André Janones criou o “Exército do Lula” e dominou a campanha no 2º turno. Lula disse no discurso que a comunicação digital terá espaço grande no governo e que passará a falar diretamente com o povo várias vezes por dia.
- Um ministro ouvido pela entrevistada disse que os ministérios não serão mais distribuídos só por partido: contarão nomes capazes de comunicar e obter apoio popular às medidas.
- Geraldo Alckmin simboliza a lealdade que Lula valoriza e a frente ampla, e conduziu o diálogo com agentes econômicos e com os americanos durante o tarifaço.
- No Congresso, o PL quase dobrou a bancada no Senado, de 15 para 28 senadores, um terço da Casa, e elegeu 121 deputados. Lula disse que governará com o Congresso que o eleitor escolheu, e nunca teve maioria em nenhuma das Casas.
- A renovação também alcançou a esquerda, com deputadas jovens e de comunicação direta, como Luna Zarattini e Ana Elisa, as mais votadas do PT.
Mercado e política fiscal
- O Ibovespa derreteu a ponto de acionar o circuit breaker, que suspendeu os negócios por 30 minutos, e o dólar chegou a R$ 5,60. Para a entrevistada, o mercado estava “comprado” em Flávio e a reação deve recuar, a começar por sinais do exterior.
- Ela aposta em três movimentos para conter gastos:
- a regulamentação da Reforma Tributária, que entra em vigor em janeiro de 2027, agrega receita e pode reduzir desonerações de cerca de R 60 bilhões;
- uma PEC dos precatórios para comprimir esse gasto obrigatório;
- a negociação das Emendas parlamentares.
- Ela cita também a previdência dos militares e a reforma administrativa como distorções, com forte resistência.
- Sobre o ministro da Fazenda, não aposta em nome ortodoxo: o formato do ajuste vem antes. Os nomes favoritos são Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, recém-reeleito com quase 76% dos votos de Lula no estado.
Estados Unidos
- Trump disse gostar de Lula, mas considerou a prorrogação da votação “muito estranha” e não reconheceu a vitória.
- Para a entrevistada, o secretário de Estado Marco Rubio, ponte de Trump com o bolsonarismo, pressiona contra o reconhecimento. Ela vê o muro tendendo a cair e o tema ligado às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro.
O futuro do bolsonarismo
- Flávio, com mandato de senador até fevereiro, é alvo de dois inquéritos no STF, que devem avançar até o fim do ano. Alexandre de Moraes mandou recolher seus passaportes, no inquérito que apura lavagem de dinheiro com o empresário Willer Tomaz.
- O PL reconheceu o resultado proclamado pelo TSE, mas diz que os questionamentos precisam ser esclarecidos.
- Segundo a entrevistada, o partido dependerá de Michelle Bolsonaro, importante na bancada feminina, de Carlos Bolsonaro, eleito senador por Santa Catarina, e da condução parlamentar de Valdemar Costa Neto.
- Ela vê também o desgaste de Nikolas Ferreira com um vídeo no Nordeste, o comportamento “debochado” de Flávio no debate e a exposição de planos de ajuste fiscal pelo entorno da campanha.
- Um Senado com PL forte deve resistir às pautas do governo; o episódio cita pedidos de impeachment de ministros do STF.
💭 Minhas impressões
📚 Referências e Fontes
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