🎧 O dia 1 de Lula 4 e Flávio Bolsonaro sem passaporte

Em poucas palavras

Entrevistados: Julia Chaib e Caio Spechoto, repórteres da Folha em Brasília.

Na segunda-feira seguinte à vitória, Lula (PT) trabalhou da residência oficial, o mercado reagiu com desconfiança e Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por mais de 4,4 milhões de votos, não reconheceu o resultado. Ele indicou que desistiria de pedir a anulação do 2º turno e teve os passaportes recolhidos por ordem de Alexandre de Moraes.

O episódio discute ainda se o quarto mandato começa já ou só em 2027, e as dificuldades de Lula para formar o ministério e acomodar aliados derrotados nas urnas.


📝 Notas e Insights

O dia seguinte e o mercado

  • Reeleito com 64.256.000 votos, contra 59.826.000 de Flávio, Lula embarcou para Brasília na noite da vitória e passou a segunda-feira no Palácio da Alvorada. Recebeu os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e da Defesa e os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre.
  • O Ibovespa caiu mais de 10% nos primeiros minutos do pregão e acionou o circuit breaker por volta das 10h, com pausa de cerca de 30 minutos. A bolsa fechou com queda de quase 14%, a pior desde março de 2020. O dólar subiu 8%, a maior alta diária desde 1999, e fechou a R$ 5,40.
  • Partidos do centrão que apoiaram Flávio no 2º turno, como União Brasil, Podemos e Republicanos, parabenizaram Lula. PSD, MDB e PSDB, que se dividiram ou ficaram neutros, também.
  • O presidente dos Estados Unidos, Trump, disse que a apuração “pareceu ruim” e, sem apresentar provas, falou em eleição fraudada. Segundo a Folha, o Departamento de Estado tinha um comunicado de felicitações pronto e o segurou depois que Flávio disse não reconhecer o resultado. Outros líderes, inclusive de direita, parabenizaram o presidente brasileiro.

Flávio, a anulação e o passaporte

  • Em vídeo nas redes, Flávio indicou que deve desistir do pedido de anulação do 2º turno. Segundo o episódio, pesaram a crise institucional que o pedido geraria e a fragilidade do argumento, já que a prorrogação da votação foi pedida também pela campanha dele.
  • Dados do TSE mostram que cerca de 34 mil eleitores votaram depois do horário original de encerramento, contra uma vantagem de mais de 4 milhões.
  • Ministros do STF e do TSE sinalizaram desde a noite de domingo que a prorrogação não justificava anulação nem foi decisiva para o resultado. Aliados do próprio Flávio o aconselharam a não seguir adiante.
  • Ele anunciou que pedirá a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin por abuso de poder econômico, com base no pacote social anunciado perto da eleição, como o reajuste do Bolsa Família. Segundo os repórteres, a ação dificilmente prospera no TSE.
  • Alexandre de Moraes mandou recolher os passaportes de Flávio e proibiu que ele deixe o país, no inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema de bets com o advogado Willer Tomaz. A decisão veio depois de Eduardo Bolsonaro dizer, em entrevista, que o irmão deveria sair do Brasil se perdesse.
  • Flávio é investigado em pelo menos dois inquéritos no STF: um sobre o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre o pai, outro sobre a relação com Willer Tomaz.
  • Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que mora nos Estados Unidos, pediu que a comunidade internacional não aceite a vitória de Lula. Nikolas Ferreira pediu aos apoiadores que não façam atos de rua.

Violência política e transição

  • Os repórteres citam casos de violência política no fim da campanha, como o da vereadora do PT atingida por um objeto em Montes Claros (MG). Dizem que as fontes em Brasília não demonstram preocupação acima do normal, porque os partidos reconheceram a vitória e não há militares de alta patente incentivando ruptura, ao contrário do fim de 2022.
  • É a primeira reeleição presidencial desde Dilma Rousseff, em 2014. Como o presidente não muda, a reformulação do governo depende do acordo com o Congresso e de ajustes na cota de ministérios do presidente.
  • Entre as prioridades, está reeleger os presidentes da Câmara e do Senado, que ganham peso porque o bolsonarismo cresceu no Congresso. Davi Alcolumbre colocou em votação a PEC que acaba com a Escala 6x1, um dos trunfos de Lula no 2º turno.

O ministério e o desafio de acomodar aliados

  • Circulam nomes para a Fazenda: o governador do Piauí, Rafael Fonteles (reeleito com 71% dos votos, e que teria de renunciar), Geraldo Alckmin e um executivo de banco. O Piauí deu a maior vitória proporcional a Lula, com 76%.
  • Muitos aliados perderam as eleições estaduais e para o Senado, entre eles Fernando Haddad, Simone Tebet, Marina Silva, Eduardo Paes, Paulo Pimenta e João Campos. Falta espaço para abrigá-los e, segundo fontes ouvidas, a Esplanada deve ter média de idade menor.
  • Gilberto Kassab, do PSD, único grande partido do centrão que não declarou apoio a Flávio, é cotado para um ministério.
  • Segundo a Folha, Lula pode fazer 45 nomeações em agências reguladoras e 22 indicações em tribunais superiores ao longo do mandato. Várias dependem do Senado, onde indicações, como a de dois diretores do Banco Central, ficaram paradas durante a crise entre Davi Alcolumbre e o governo.
  • Os repórteres duvidam de um aceno rápido ao mercado: Lula não costuma decidir sob pressão nem abrir mão do próprio tempo.

Pauta até o fim do ano

  • A PEC da Segurança Pública, condição de Lula para criar o Ministério da Segurança Pública, travou em votação anterior por causa de proposta de reduzir a maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos.
  • O Orçamento de 2027 é o outro grande projeto do ano, porque o governo terá de escolher quais promessas de campanha cumprir no primeiro ano.

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📚 Referências e Fontes

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