🎧 A reação do mercado ao 1º turno: da euforia à incerteza

Em poucas palavras

Entrevistado: Bruno Carazza, economista, professor associado da Fundação Dom Cabral e comentarista de economia do Jornal da Globo, da rádio CBN e do jornal Valor Econômico.

O mercado financeiro reagiu com euforia ao resultado do 1º turno das Eleições presidenciais de 2026. Na segunda-feira, 5 de outubro, o Ibovespa subiu mais de 7% e passou dos 200 mil pontos pela primeira vez. A curva de juros futuros despencou e o dólar caiu para a casa de R$ 5. A explicação está nas urnas: Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Lula (PT), e o PL elegeu as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Setores do mercado leram esse cenário como uma chance maior de aprovar uma agenda econômica liberal.

O episódio, porém, trata também da incerteza. Agentes do mercado se perguntam se a economia seria de fato prioridade num eventual governo Flávio. Natuza Nery e Bruno Carazza discutem os desafios que o vencedor do 2º turno, em 25 de outubro, vai herdar na condução da economia, e o que falta ou é vago nas propostas dos dois candidatos.


📝 Notas e Insights

A euforia de segunda-feira

  • O Ibovespa fechou a segunda (5) em alta de 7,70%, aos 206.904 pontos, e chegou a 209,6 mil pontos durante o dia. O recorde de fechamento anterior era de 14 de abril, perto de 198 mil.
  • O dólar fechou em queda de cerca de 4%, perto de R$ 5,00, e foi negociado abaixo disso durante o dia.

O novo Congresso (a partir de 2027)

  • O PL elegeu 121 deputados, contra 97 em 2022. É a maior bancada de um único partido na Câmara desde a redemocratização.
  • No Senado, o PL elegeu 19 das 54 vagas e deve chegar a 28 senadores, a maior bancada de um partido desde 1988.
  • Somadas, as bancadas de PL, Novo, Partido Republicanos e PP dariam cerca de 42 senadores, acima da maioria absoluta de 41.
  • A fragmentação continua grande: 20 partidos terão cadeiras na Câmara, e a negociação com o Centrão segue necessária.

Da euforia à incerteza: as dúvidas sobre um governo Flávio

  • Uma dúvida do mercado é se a agenda econômica será prioridade. Na campanha, a direita defendeu um Senado forte para pressionar o STF e avançar pautas como a anistia e pedidos de impeachment de ministros da Corte.
  • Analistas avaliam que o otimismo pode durar pouco. Se Flávio vencer, a atenção vai para a escolha da equipe econômica e para os anúncios fiscais, que até agora foram vagos.

As propostas econômicas em jogo

  • **Flávio Bolsonaro:
    • Substituir o Arcabouço fiscal por uma regra mais rígida, com superávits primários recorrentes e um limite para as despesas discricionárias dos três Poderes.
    • Reduzir o crédito subsidiado pelo Tesouro, cortar ao menos dez ministérios e rever a Reforma Tributária, com alíquota menor do IVA.
    • Retomar privatizações e reduzir aos poucos o custo da contratação formal.
    • Lacunas: o plano não traz a fórmula da nova regra fiscal, metas numéricas de superávit, limite para o crédito subsidiado nem lista ou cronograma de privatizações. Também não explica como conciliar corte de gastos com despesas obrigatórias que crescem automaticamente.
  • Lula: continuidade com pressão fiscal
    • A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil já vale desde janeiro de 2026. Lula também defende isentar a PLR e reduzir a jornada de trabalho.
    • Lacunas: essas medidas têm forte apelo popular e alto custo fiscal. As projeções indicavam dívida bruta perto de 82–84% do PIB no fim de 2026.

💭 Minhas impressões

Me parece que apesar do aumento expressivo no Ibovespa, não está claro o que Flávio Bolsonaro e Lula farão de forma concreta em relação a economia do país. Isso é um ponto que parece que não foi devidamente precificado pelo mercado, que teve uma euforia inicial que pode não se manter no longo prazo. Em especial, parece que Flávio Bolsonaro vai gastar o início do seu governo com pautas identitárias e políticas, como a anistia, ao invés de temas económicos. Do lado de Lula fica evidente que ele terá dificuldades para realizar ações dado a forte oposição eleita no Senado e no Congresso Nacional


📚 Referências e Fontes

🔗 Conexões do Cofre

🌐 Referências Externas