🎧 A onda bolsonarista no 1º turno das eleições

Em poucas palavras

Entrevistado: Thomas Traumann, comentarista da GloboNews e colunista do jornal O Globo.

O 1º turno das Eleições Presidenciais de 2026, no domingo (4), terminou com Flávio Bolsonaro (PL) na frente com cerca de 47% dos votos válidos (aproximadamente 56,1 milhões), contra cerca de 45% (53,8 milhões) de Lula (PT). Os dois voltam às urnas em 25 de outubro, para o segundo turno. Nos discursos da noite, Flávio disse que o tom da eleição é o de “mudança” e Lula, sumpreso, apostou numa virada no 2º turno.

A onda de oposição ao governo federal também dominou o Congresso e os governos estaduais. No Senado, o PL elegeu 19 senadores e chegará a 28 cadeiras; somados os aliados de outras legendas, a bancada bolsonarista beira os 50. Na Câmara, o partido terá cerca de 120 deputados federais, a maior bancada de uma legenda desde a Constituição de 1988.

No O Assunto desta segunda-feira (5), Natuza Nery conversa com Thomas Traumann sobre o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas das últimas semanas, os erros da campanha de Lula, o mapa eleitoral que saiu das urnas e o recado que o eleitor deixou.


📝 Notas e Insights

O placar do 1º turno

  • Flávio Bolsonaro terminou cerca de 2 pontos e 2,3 milhões de votos à frente de Lula. Como nenhum dos dois passou de 50% dos votos válidos, a decisão fica para o 2º turno, em 25 de outubro.
  • Somados, os dois concentraram cerca de 92% dos votos válidos; os demais candidatos, entre eles Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), dividiram os 8% restantes.
  • Flávio Bolsonaro, ao falar com a imprensa, disse que “o Brasil quer mudança” e que o 2º turno marcará o fim da era do PT.
  • Lula admitiu que estava convencido de que venceria no 1º turno, chamou o 2º turno de “prova dos nove”, disse ser “muito bom no mata-mata” e associou o adversário a um “passado tenebroso”.

As pesquisas e a arrancada de Flávio

  • Thomas Traumann comenta o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas das últimas semanas de campanha.
  • O resultado destoou do que os institutos apontavam: na véspera, o Datafolha ainda mostrava Lula à frente.
  • Comparando a última pesquisa com as urnas, o Datafolha acertou o percentual de Lula (45% previstos, 45,15% obtidos), mas subestimou Flávio em cerca de 5 pontos (42% previstos, 47% obtidos), uma diferença acima da margem de erro de 2 pontos.

A campanha de Lula

  • Na conversa, Thomas Traumann avalia os erros da campanha petista no 1º turno.
  • O próprio Lula reconheceu a surpresa com o resultado e disse que o 2º turno vai mostrar o verdadeiro retrato do país.
  • Para a nova fase, Lula indicou como eixo a continuidade dos investimentos em educação, ciência, tecnologia e desenvolvimento industrial.

A onda no Congresso

  • Senado: o PL elegeu 19 senadores e terá 28 cadeiras a partir de 2027. É a maior bancada da Casa e a segunda maior de um único partido desde a redemocratização. O partido levou as duas vagas em disputa no DF, em Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro, em Rondônia e em Santa Catarina.
  • A bancada bolsonarista ampliada varia conforme o critério de contagem: o episódio fala em cerca de 50 senadores e a contagem do Terra chega a 44. Em qualquer conta, fica abaixo dos 54 votos necessários para aprovar o impeachment de um ministro do STF, mas provavelmente isso será uma pauta em 2027.
  • Entre os eleitos estão Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Carlos Nantes Bolsonaro (PL-SC). Com isso, a família Bolsonaro terá dois representantes no Senado a partir de 2027.
  • Câmara: o PL elegeu 121 deputados, 22 a mais que em 2022, e terá a maior bancada de um partido desde a Constituição de 1988. Fica 33 cadeiras à frente da federação liderada pelo PT (88 deputados), mas nenhum partido terá maioria sozinho.

O mapa dos estados

  • Vinte estados definiram o governador no 1º turno; seis estados (AC, AM, ES, RJ, RN e TO) e o Distrito Federal terão 2º turno.
  • O Partido Liberal foi o partido que mais elegeu governadores no 1º turno (5): Sergio Moro (PR), Zucco (RS), Jorginho Mello (SC), Marcos Rogério (RO) e Arthur Henrique (RR). Os três estados do Sul ficaram com o partido.
  • O PSD elegeu 4 governadores; Republicanos e PT, 3 cada. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito com 62,65% dos votos.
  • O Partido dos Trabalhadores só venceu no 1º turno no Nordeste: Bahia, Ceará e Piauí.

💭 Minhas impressões

  • Na minha visão aconteceu o que eu já esperava que aconteceria: uma maior bancada do Partido Liberal no Senado e no Congresso, além de uma maior votação em Flávio Bolsonaro do que os institutos de pesquisa indicavam. Isso fortalece a minha visão de que a mídia, institutos de pesquisa e organizações ainda não entenderam o poder que o bolsonarismo detém.
  • Me parece evidente que o que acontece no Brasil é também um reflexo do que vem acontecendo mundo a fora: redução da globalização, enfraquecimento de orgãos multilaterais, enfraquecimento das instituições, maior concentração de poder em figuras personalistas, um conflito cultural crescente, uma visão de que o problema da economia são os estados, e principalmente uma visão simplista de que os problemas do mundo são facilmente resolvidos.
  • Neste sentido, fica cada vez mais claro que a direita cresce e crescerá cada vez mais uma vez que a esquerda está mais preocupada em definir questões teóricas e filosóficas e muito pouco em pensar em questões práticas.

📚 Referências e Fontes

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🌐 Referências Externas