🎧 Lula x Flávio Bolsonaro o que diz a pesquisa Quaest sobre o 2º turno

Em poucas palavras

Convidado: Felipe Nunes, cientista político, professor da FGV-SP e diretor da Quaest. Saiu nesta quarta-feira (21) a segunda pesquisa Quaest para o 2º turno da eleição presidencial. O resultado aponta empate técnico, com vantagem de Flávio Bolsonaro (PL), 45%, em relação a Lula (PT), 44%. Na espontânea, os dois candidatos estão empatados numericamente com 40%, e chama a atenção um outro dado: o percentual de indecisos dobrou de 7% para 14% dos eleitores. Há mudanças significativas também nos índices de rejeição e medo. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o cientista político Felipe Nunes, que é diretor da Quaest. Felipe destaca o que vê de mais importante nesta rodada da pesquisa e analisa a percepção geral dos eleitores em relação aos candidatos. Ele também explica por que o número de indecisos e a “alienação eleitoral” serão fatores decisivos para o resultado de domingo (25).


📝 Notas e Insights

Contexto: a reta final do 2º turno

O episódio foi gravado na quinta-feira (22), três dias antes do 2º turno das Eleições Presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro. A pesquisa Quaest foi divulgada na quarta (21); a última, na véspera, sai no sábado.

O retrato da pesquisa

  • Para Felipe Nunes, é a eleição mais acirrada da história: nunca houve, a essa altura, pesquisas indicando competitividade tão alta.
  • O empate vem de três movimentos: Flávio retém quase todo o voto do 1º turno, Lula também, e os votos de outras candidaturas migram mais para Flávio. Em compensação, quem não votou em ninguém ou se absteve no 1º turno diz que votaria mais em Lula.
  • Há pouquíssima variação por região, sexo, idade e escolaridade, o que pede cautela para ler os movimentos da reta final.
  • Margem de erro: a pesquisa estima um intervalo, não um número, com 95% de confiança. Flávio aparece com 45% (entre 43% e 47%) e Lula, com 44% (entre 42% e 46%). O mais provável é que os dois terminem muito próximos, entre 44% e 45%; um resultado como 47% a 42% é possível, mas remoto.

Beneficiários de programas sociais

  • Cerca de 20% do eleitorado tem alguém em casa que recebe o Bolsa Família ou outro benefício destinado a quem está no Cadastro Único. O grupo é maior que o dos beneficiários em si: a pergunta é sobre o núcleo familiar.
  • É o único segmento em que a Quaest vê mudança concreta de voto: a vantagem de Lula ali cresceu em relação à rodada anterior. Como cada voto que muda sai de um candidato e vai para o outro, a distância no subgrupo aumenta em dobro, o que pode ser decisivo num empate.
  • É também onde mais cresceu o medo da volta da família Bolsonaro, o que sugere um efeito de campanha ligado ao pacote do governo (aumento do Bolsa Família, perdão de dívidas de MEIs, proibição das bets, fim da escala 6x1). Esse pacote produziu, nas últimas três rodadas, um aumento marginal na aprovação do governo.

O dobro de indecisos

  • Na pergunta espontânea, os indecisos passaram de 7% para 14%. O normal é o contrário: caem a cada rodada, como ocorreu no 1º turno. Para Nunes, é uma anomalia que merece atenção e sinal de mudança de opinião pública em curso.
  • A indecisão cresce mais entre as mulheres, e as intenções espontâneas dos dois candidatos caem nesse grupo: nível baixo da campanha, campanha negativa e falta de propostas.
  • Ainda não dá para dizer a quem isso favorece. Se virar abstenção, Lula é penalizado, porque as mulheres votam mais nele; se o medo de uma vitória de Flávio mobilizar essas eleitoras, Lula ganha.

Medo e campanha negativa

  • Na pesquisa de 14 de outubro, 43% tinham medo de um governo Lula e 43%, do retorno da família Bolsonaro. Desde 3 de outubro, subiu quase 6 pontos o grupo que teme mais a volta dos Bolsonaro do que a continuidade de Lula.
  • Para Nunes, o eleitor vota também para impedir a eleição de quem rejeita, e a campanha negativa do PT nas redes e na TV tem funcionado mais no 2º turno do que no 1º. Na leitura dele, campanha continua importando.

Alienação eleitoral

  • Conceito: a soma de abstenção, votos brancos e votos nulos. Nunes diz que o foco não deve ser a abstenção, mas esse eleitor que compareceu e não escolheu presidente: ele já decidiu votar, só não decidiu em quem.
  • Histórico: em 2022, a alienação caiu pouco mais de 0,2 ponto entre os turnos. Em 2014, quando Dilma Rousseff virou a disputa contra Aécio Neves, caiu mais de 1 ponto.
  • Tamanho do desafio: são cerca de 6 milhões de eleitores que votaram branco ou nulo no 1º turno, em boa parte porque havia eleição para deputado, senador e governador. Sem essas disputas, o desafio é levá-los a escolher entre Flávio e Lula.
  • Dois cenários: se a alienação cair perto do que se viu em 2014, uma virada não está descartada; se ficar perto de 2022, é menos provável, e só ocorreria se Flávio deixasse de reter seus votos. A mobilização é a variável decisiva.
  • Em 2022, a Quaest estima um saldo líquido de 2% de eleitores que votaram em Lula no 1º turno e em Jair Bolsonaro no 2º: a migração de voto não é impossível, apesar da calcificação.

Voto útil e modelo de likely voter

  • No 1º turno de 2026, Felipe Nunes viu um voto útil de direita: eleitores que estavam reservados a candidatos como Caiado e Zema anteciparam o voto em Flávio, sobretudo no sábado.
  • Em 2022, o problema foi o inverso: Lula aparecia superestimado, porque parte de quem dizia votar nele não ia às urnas. Por isso a Quaest criou o modelo de likely voter, que desconta a probabilidade de comparecimento de cada grupo e será mostrado na pesquisa de sábado. Em 2022, a Quaest tinha Lula com 51,4% no 2º turno; ele terminou com 50,9%.
  • Como há debate na sexta à noite, 70% do campo da última pesquisa será feito no sábado, com divulgação prevista entre 18h e 19h.

Para acompanhar

  • A pesquisa de sábado, com o modelo de likely voter pela primeira vez.
  • A taxa de alienação eleitoral no domingo, em comparação com 2014 e 2022.

💭 Minhas impressões

Certamente essa será a eleição mais disputada do Brasil. Os resultados serão divulgados ainda no domingo e devem dar o tom dos próximos 4 anos. O que será do país? Certamente não está claro.


📚 Referências e Fontes

🔗 Conexões do Cofre

🌐 Referências Externas