🎧 Especial Eleições: o rumo da economia brasileira depois das urnas

Em poucas palavras

Entrevistado: Léo Arcoverde, repórter especial e comentarista da GloboNews.

A economia brasileira chega às Eleições Presidenciais de 2026 cheia de sinais trocados. O IBGE registrou deflação de 0,32% no IPCA de agosto, mas a Quaest mostra que dois em cada três eleitores sentem que os preços no mercado subiram. De um lado, o país cresce acima do que projetam os analistas, a renda do trabalho está em nível recorde, o desemprego na mínima histórica e a inflação dentro do teto da meta. De outro, a dívida pública bruta passou de R$ 10 trilhões (mais de 82% do PIB), o endividamento atinge 82% das famílias — recorde — e o Brasil tem o maior juro real do mundo.

Natuza Nery recebe o jornalista Léo Arcoverde para destrinchar esse quadro e apresentar o que os candidatos à Presidência propõem para a Dívida Pública, os juros altos e o endividamento privado. O episódio traz ainda trechos de entrevistas feitas pelo produtor Carlos Catelan com os economistas Armínio Fraga, André Roncaglia, Carla Beni, Felipe Salto, Marcos Mendes e Monica de Bolle.

O O Assunto desta segunda-feira (28), a menos de uma semana do primeiro turno, é um especial sobre o rumo da economia depois das urnas.


📝 Notas e Insights

Os dois lados da economia

  • O que vai bem: crescimento acima das projeções do mercado, renda do trabalho recorde, desemprego na mínima histórica e inflação dentro do teto da meta.
  • O que preocupa: Dívida Pública bruta acima de R$ 10 trilhões, famílias endividadas em nível recorde e juro real mais alto do mundo.
  • O IPCA de agosto (–0,32%) veio mais negativo do que o esperado, puxado sobretudo pela conta de luz (bônus de Itaipu) e pela queda das passagens aéreas; no acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,22%.
  • A Quaest (30/08 a 01/09) mostrou 67% dos eleitores dizendo que os preços dos alimentos subiram no último mês. A deflação mensal não desfaz a alta acumulada dos meses anteriores — daí a distância entre índice e percepção.

Contexto: os números por trás do episódio

  • Dívida: a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a R$ 10,9 trilhões (82,5% do PIB) em julho, maior patamar desde abril de 2021, segundo o Banco Central. O governo projeta pico de 87,9% do PIB em 2029.
  • Juros: em 16/09 o Copom cortou a Selic para 13,75% (quinto corte seguido); mesmo assim, o juro real brasileiro (≈ 8,45% a.a.) segue o maior entre 40 economias, à frente de Rússia e Colômbia.
  • Famílias: a PEIC da Confederação Nacional do Comércio registrou 82% das famílias endividadas em julho, recorde da série.

Ajuste fiscal e as propostas dos candidatos

  • Não há nenhuma indicação de como o ajuste fiscal será feito — se por corte de despesas ou por aumento das receitas do governo. Isso não dá clareza sobre como essa estrutura funcionará. A redução das despesas é, em geral, mais fácil de set realizada.
  • Lula (PT): mantém o Arcabouço Fiscal; aposta em receita (revisão de renúncias tributárias, combate à evasão, mais tributação sobre os mais ricos) e no crescimento, sem cortes explícitos de despesa.
  • Flávio Bolsonaro (PL): propõe um “tesouraço” de corte de gastos (extinção de ao menos dez ministérios, menos cargos comissionados), redução de impostos com revisão da alíquota do IVA da Reforma Tributária e uma nova regra fiscal para estabilizar e reduzir a dívida — sem detalhar o mecanismo.
  • Romeu Zema (Novo) defende choque fiscal com nova reforma da Previdência e privatizações;
  • Ronaldo Caiado (PSD) fala em estabilizar a dívida com revisão de subsídios e combate a supersalários;
  • Renan Santos (Partido Missão) propõe trocar o arcabouço por regra mais rígida e desindexar benefícios do salário mínimo.

📚 Referências e Fontes

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🌐 Referências Externas