Episódio
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Descrição
Convidado: Roberto Carvalho de Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC e presidente da 9G Consultoria. A primeira ata de um acordo entre União Europeia e Mercosul foi assinada em 1995. Depois de várias tentativas e três décadas de negociações, os países da Comissão Europeia deram sinal verde para um acordo final entre os dois blocos. A expectativa é de que a assinatura final seja no próximo sábado, 17 de janeiro. Um tratado histórico, a partir do qual nasce a maior zona econômica do mundo. O pacto envolve 27 países da União Europeia e 4 países do Mercosul, entre eles o Brasil. Juntos, os países envolvidos respondem por 25% de toda a riqueza produzida no planeta. Trata-se de um mercado de 720 milhões de consumidores. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Roberto Carvalho de Azevêdo, brasileiro que participou diretamente das negociações iniciadas ainda na década de 1990. Ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Carvalho de Azevêdo responde o que destravou o acordo neste momento e como o Brasil, e os brasileiros, vão ser afetados. Para ele, que dirigiu a OMC entre 2013 e 2020, trata-se de um acordo “ganha-ganha” entre as duas partes. Azevêdo responde também o que muda, na prática, para o agronegócio brasileiro e para os consumidores do país. Por fim, ele avalia como esta é uma chance de o Brasil se reposicionar no comércio mundial.
Notas
- O acordo Mercosul-União Europeia forma a maior zona econômica e envolve 27 países da União Europeia e 4 países do Mercosul. Curiosamente é um acordo que vai na contra mão do que vem acontecendo no mundo em relação a tratados bilaterais ao invés de multilaterais com este acordo.
- O acordo já vinha sento discutido a mais de 10 anos sem ter efetivamente saído do papel.
- O comercio internacional, na visão da União Europeia, não é um um jogo de soma zero como vem sendo postulado pelos Estados Unidos. Há também um reforço de que regras são importantes e devem ser levados em conta neste tratado.
- O que ajudou a finalização do acordo foi a inclusão de um sistema de salvaguarda para a União Europeia de forma a resguardar seus mercados. Países, especialmente Itália, acabaram apoiando o acordo depois de indicar que votaria contra.
- O setor agrícola brasileiro é o que deve vender mais e crescer com tal acordo. Já setores industriais devem perder espaço, visto que importação deve focar em produtos industrializados. Entretanto, vale destacar que a União Europeia é o segundo maior mercado para os produtos industrializados brasileiros.
- Haverá talvez uma mudança no setor privado que olhará para a competitividade global e não apenas local.
- A qualidade dos produtos devem melhorar, visto que é necessário atender as demandas da União Europeia. Alguns produtos também chegam mais baratos e devem aumentar a competitividade, produzindo reduções de preços por exemplo. Também teremos uma melhora nas compras públicas, visto que o mercado europeu também poderá ser avaliado com possível fornecedor nas licitações internas.
- Devemos, com o passar do tempo, melhorar a rastreabilidade e monitoramento dos produtos devido a demandas ambientais. Vale destacar que algumas demandas não são atendidas nem pela União Europeia.
- É importante diversificar a atuação econômica do país dado as grandes mudanças econômicas e políticas que vem acontecido no mundo nos últimos anos. Neste sentido, quanto mais diverso for a balança econômica de um país mais protegido de mudanças ele estará (Acho que isso é válido para várias outras coisas na vida).
Minha Experiência
Meus comentários
O acordo União Europeia e Mercosul é mais um passo de integração multilateral entre cadeias produtivas. Ainda acho que não está claro o que deve acontecer a partir de tal acordo, mas me parece que esse acordo deve melhorar a economia de diversos países como o Brasil.