🎧 A fuga de Flávio Bolsonaro depois da derrota

Em poucas palavras

Entrevistada: Mônica Bergamo, colunista da Folha.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil nesta terça-feira (27), dois dias depois de perder a eleição presidencial. Na segunda (26), ele foi intimado a entregar os passaportes por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes, a pedido da Polícia Federal, que via risco de fuga.

A decisão de deixar o país teria sido tomada depois dessa medida. No começo do dia, aliados do senador disseram que não sabiam do paradeiro dele, mas ao longo da tarde confirmaram a fuga para os Estados Unidos e disseram que o governo de Donald Trump tinha ciência do plano; os EUA disseram que vão conceder vistos ao senador e à família dele. Flávio deve se manifestar nesta quarta (28).

A colunista é a entrevistada do Café da Manhã para relatar a fuga do candidato derrotado nas eleições e discutir os impactos disso. A correspondente da Folha nos EUA Isabella Menon também participa do episódio, com atualizações do caso.


📝 Notas e Insights

A linha do tempo da terça-feira

  • Na segunda à tarde, Flávio disse em vídeo que nunca pensou em sair do país, que entregaria os passaportes e que organizaria a oposição com os parlamentares eleitos.
  • De madrugada, o site argentino Infobae publicou que ele teria cruzado a fronteira com a carteira de identidade e embarcaria em Puerto Iguazú rumo aos Estados Unidos. O Clarín informou que um voo privado para Miami, previsto para as 2h30, foi cancelado.
  • De manhã, a PF rastreou os postos de fronteira e não achou registro oficial de saída. Às 11h, venceu o prazo de 24 horas para a entrega dos passaportes, que não foi feita.
  • O governo de Javier Milei negou que ele estivesse na Argentina: disse ter fiscalizado o jatinho e a tripulação em Puerto Iguazú e que não havia plano de voo com a família Bolsonaro.
  • Pouco depois do meio-dia, aliados foram avisados de que ele tinha deixado o Brasil. Perto das 15h, uma autoridade americana confirmou à Reuters que os EUA sabiam da viagem. Por volta das 16h20, ele teria pousado nos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas. Segundo aliados, a ideia é pedir asilo político alegando perseguição.
  • O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, disse ter recebido às 8h só uma mensagem de que Flávio queria “dar um tempo”. Criticou as cautelares e disse compreender a decisão. Valdemar Costa Neto reuniu os parlamentares do PL e a senadora eleita Michelle Bolsonaro.
  • Lula chamou a saída de fuga e de “vergonhosa”.

Como a colunista apurou a fuga

  • Mônica levou a notícia do Infobae a sério por causa do histórico da família: Jair Bolsonaro dormiu na embaixada da Hungria quando já era investigado por tentativa de golpe, e Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Silvinei Vasques deixaram o país ou tentaram deixá-lo.
  • Uma fonte da aviação mandou o rastreamento do Gulfstream citado pelo site. O avião tinha ido de Buenos Aires a Puerto Iguazú e não decolou, mas a imprensa argentina informou que o nome de Flávio e de mais três pessoas estava na lista de passageiros.
  • A confirmação veio de uma pessoa próxima da família: ele saiu “para não ser preso”.

O pedido da PF e a ordem dos fatos

  • A PF pediu a Moraes o recolhimento dos passaportes logo depois de o TSE oficializar o resultado. Publicamente, o pedido se apoiou na declaração de Eduardo Bolsonaro de que aconselharia o irmão a sair do Brasil se perdesse.
  • Durante a gravação, a Folha confirmou informação do G1: a PF apontou risco concreto de fuga, citando como precedente a saída de Willer Tomaz do país em 25 de agosto e a estrutura de longa permanência de Eduardo nos EUA, que, segundo a PF, pode ter sido custeada com o dinheiro de Daniel Vorcaro para o filme.
  • Para Mônica, fica a dúvida sobre o que veio primeiro: se o pedido precipitou a fuga ou se a PF já sabia de um plano. Na avaliação dela, a gota d’água foi a apreensão do passaporte.
  • No STF e no governo, a decisão de Moraes foi recebida com desconforto, por ter sido tomada contra quem acabara de ter metade dos votos do país. A fuga, segundo a colunista, acabou justificando a medida.
  • Deputados do PT pediram a Moraes a prisão preventiva do senador e, se houver mandado, um alerta vermelho da Interpol.

Os inquéritos

  • Flávio é investigado em dois inquéritos no STF:
  • A partir de 2027, ele perde o foro por prerrogativa de função. Para Mônica, os inquéritos devem seguir, pela determinação da PF e dos relatores.

O futuro da direita sem os Bolsonaro

  • Liderar a oposição de fora é possível se a oposição aceitar, mas, com Flávio e Eduardo no exterior e Jair preso, fica mais difícil. Uma reorganização da direita sem a família, desejo de muitas lideranças, pode ficar mais factível.
  • Michelle tem grupo e transfere votos, mas, para a colunista, dificilmente assume a liderança: não é aceita pelos enteados, e o marido nunca lhe passou o bastão.
  • O núcleo de cerca de 30% do eleitorado segue Jair Bolsonaro, não o filho. Se os inquéritos trouxerem provas, o discurso de perseguição pode perder força.
  • O certo, segundo Mônica, é que ele vai atuar junto ao governo americano por sanções da Lei Magnitsky contra magistrados brasileiros e pelo não reconhecimento da eleição.
  • No governo, diplomatas preferiam não acusar os EUA sem elementos mais contundentes. A colunista lembra que Trump deve sofrer uma derrota nas eleições de meio de mandato, o que pode limitar retaliações.

A chegada aos EUA

  • Isabella Menon, correspondente da Folha em Washington, relatou que a Casa Branca confirmou os vistos para o senador e a família e que, segundo aliados, Eduardo o recebeu em Miami.
  • Um aliado da família e uma pessoa próxima da Casa Branca disseram que a operação foi coordenada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, crítico do governo Lula. Outro aliado disse que a decisão dividiu o Departamento de Estado.

💭 Minhas impressões


📚 Referências e Fontes

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