TLDR
A Ciência aberta promove o compartilhamento de conhecimento da forma mais aberta possível, mas reconheço que restrições necessárias se aplicam para proteger direitos humanos, confidencialidade, propriedade intelectual, dados pessoais, espécies ameaçadas e conhecimento indígena. Comprometo-me com os princípios da Ciência aberta compartilhando meu trabalho, meu código e meus dados, utilizando licenças e softwares abertos para maximizar o impacto e a reprodutibilidade, apesar dos desafios práticos que enfrento.
Quando a Ciência Deve Ser Aberta?
Recentemente, comecei a explorar o conceito de Ciência aberta. Ao aprofundar-me no tópico, deparei-me com o documento An introduction to the UNESCO Recommendation on OPEN SCIENCE, que descreve os principais aspectos desse movimento. Uma ideia em particular desse documento ressoou comigo:
O acesso ao conhecimento científico deve ser o mais aberto possível, mas às vezes o acesso pode precisar ser restrito, por exemplo, para proteger direitos humanos, confidencialidade, direitos de propriedade intelectual, informações pessoais, espécies ameaçadas ou em perigo, e conhecimento indígena sagrado e secreto. A Ciência aberta incentiva os cientistas a desenvolver ferramentas e métodos para gerenciar dados para que o máximo de dados possível possa ser compartilhado, conforme apropriado.
Essas limitações necessárias ao livre compartilhamento do conhecimento científico servem para proteger aspectos cruciais da sociedade humana e do meio ambiente. Vamos detalhar essas categorias:
- Direitos humanos: A abertura nunca deve comprometer os direitos humanos fundamentais, como o direito à privacidade, a liberdade de expressão ou a liberdade de discriminação.
- Confidencialidade: Certas informações, como registros médicos, comunicações legais ou dados de segurança nacional, são inerentemente confidenciais e exigem proteção. O acesso irrestrito poderia prejudicar gravemente indivíduos e a sociedade.
- Direitos de propriedade intelectual: Proteger a propriedade intelectual fomenta a inovação e a criatividade. Pesquisadores e criadores merecem se beneficiar de seu trabalho. O acesso aberto deve ser equilibrado com mecanismos como patentes, direitos autorais e marcas registradas para salvaguardar esses direitos.
- Informações pessoais: Isso diz respeito à privacidade dos dados e à proteção das informações sensíveis dos indivíduos. As iniciativas de Ciência aberta devem aderir às regulamentações de proteção de dados, garantindo que os dados pessoais sejam anonimizados ou tratados de forma responsável.
- Espécies ameaçadas ou em perigo: Compartilhar dados de localização precisos ou outros detalhes sensíveis sobre espécies ameaçadas pode expô-las à caça ilegal ou outras ameaças. Restringir o acesso a esses dados é vital para a conservação.
- Conhecimento indígena sagrado e secreto: Comunidades indígenas possuem conhecimento tradicional valioso sobre medicina, gestão ambiental e práticas culturais. Frequentemente considerado sagrado ou secreto, esse conhecimento deve ser protegido contra acesso ou exploração não autorizados. As práticas de Ciência aberta devem respeitar os sistemas de conhecimento indígena e os direitos de propriedade intelectual.
É crucial entender que essas limitações não são barreiras à Ciência aberta, mas sim salvaguardas para um compartilhamento de conhecimento responsável e ético. O objetivo é maximizar a abertura, minimizando os danos potenciais.
Meus Princípios Orientadores Para Compartilhar Meu Trabalho
Inspirado por essas considerações, formulei meus princípios pessoais para praticar a Ciência aberta:
- Compartilhar meu trabalho publicamente sempre que viável: Meu objetivo é compartilhar minhas ideias e descobertas da forma mais aberta possível. No entanto, embora alguns periódicos e conferências científicas ofereçam opções de publicação de Acesso Aberto, muitos impõem taxas significativas. Essas taxas podem, às vezes, exceder 3.000 USD. Como cientista brasileiro, isso se traduz em aproximadamente 18.000 BRL, tornando o Acesso Aberto proibitivamente caro. Para contextualizar, o salário mínimo mensal atual do Brasil é de cerca de 1.000 BRL, e a maioria das bolsas de doutorado oferece cerca de 3.100 BRL por mês. Devido a essas restrições financeiras, frequentemente publico em periódicos baseados em assinatura. Apesar disso, esforço-me para compartilhar manuscritos aceitos sempre que permitido.
- Compartilhar meu código e dados abertamente: Sempre que possível, disponibilizarei meu código e dados, geralmente por meio de um repositório GitHub, permitindo que outros pesquisadores usem e desenvolvam meu trabalho.
- Usar licenças e softwares abertos para maximizar o impacto e a reprodutibilidade: Pretendo usar licenças abertas para minhas publicações (por exemplo, CC BY) e código (por exemplo, MIT) para garantir que outros possam usar, adaptar e distribuir livremente meu trabalho, maximizando assim o impacto da pesquisa e promovendo a colaboração. Também priorizarei o uso de software de código aberto em meu fluxo de trabalho de pesquisa para melhorar a transparência e a reprodutibilidade. Embora a adoção de novas ferramentas possa apresentar desafios, estou comprometido em superá-los para avançar as práticas de Ciência aberta.