📝 Do Google Gemini CLI ao Claude Code: Minha Jornada com Assistentes de IA
Resumo
O que o leitor ganha? Um relato cronológico e honesto de como fui trocando de ferramenta várias vezes — do primeiro contato acadêmico com PLN ao Google Gemini CLI e, hoje, ao Claude Desktop e Claude Code — até chegar ao fluxo de trabalho atual, no qual a IA reescreve e revisa, mas nunca escreve por mim.
Público-alvo: Professores e alunos, especialmente os que estão decidindo se e como incorporar essas ferramentas ao próprio trabalho.
Introdução
Desde que comecei a utilizar Grandes modelos de linguagem, sejam else o ChatGPT, Google Gemini ou o Claude Code, a minha forma de interagir com essas ferramentas mudou. As ferramentas melhoraram, e o meu entendimento sobre onde e como aplicá-las também melhorou com o tempo. No post de hoje, quero mostrar essa evolução.
Primeiro Contato
O meu primeiro contato com um LLM foi ainda durante o doutorado, numa disciplina sobre Processamento de linguagem natural. Na época o ChatGPT já existia, mas eu só tinha ouvido falar dele e não o havia testado. Meu primeiro contato com essa tecnologia foi, portanto, técnico e de desenvolvedor, não de usuário comum.
Ainda assim, esse contato me deu uma perspectiva inicial clara: Grandes modelos de linguagem geram conteúdo com base em um banco de dados gigantesco e na estatística associada entre palavras (ou tokens). Um modelo gera conteúdo com base no que ele “aprendeu” (prefiro usar o thermo identificou).
Primeiro Contato com o Google Gemini CLI
O meu interesse em testar o Google Gemini CLI teve dois motivos. Primeiro, foi uma das primeiras ferramentas com capacidade de alterar arquivos diretamente no meu próprio computador que eu tive acesso, o que era diferente de colar um prompt num chat e copiar a resposta de volta. Segundo, eu tinha lido, em vários lugares e por várias pessoas, que era uma ferramenta muito boa para iniciar projetos, escrever documentação e analisar código.
Na prática, achei a ferramenta muito boa, especialmente no meu papel como professor da disciplina de Fundamentos de Algoritmos, que ensina os conceitos básicos de programação usando Python. O Google Gemini CLI gerava rapidamente pequenos exemplos, explicações e exercícios que os alunos poderiam fazer além das aulas. Isso me permitiu produzir, com agilidade, um material que é importante do ponto de vista educacional, sem tirar de mim o papel de ensinar e tirar dúvidas. Na verdade, me deu mais tempo para pensar em como introduzir os conceitos em sala de aula.
A principal limitação foi o limit de uso da ferramenta. Como eu conseguia produzir bastante conteúdo, atingia o limit da minha conta com frequência, o que me obrigava a esperar um bom tempo para entregar o que eu pretendia.
Essa experiência também mudou minha percepção sobre um assistente via terminal/CLI em comparação a um chat comum (ChatGPT, Gemini web). O CLI facilitou a modificação dos meus documentos sem que eu precisasse copiar e colar o prompt o tempo todo. Além disso, como eu usava a ferramenta pelo Visual Studio Code, conseguia atualizar rapidamente o que era produzido, validando conceitos, ajustando o texto ao meu estilo e organizando meu próprio aprendizado junto com o processo.
Migrando para o Claude Desktop e Code
A troca foi motivada, em primeiro lugar, pelo fim da minha licença educacional do Google One. Mas não foi só isso: eu já vinha ouvindo de vários colegas de trabalho que o Claude era muito bom para tarefas de programação, matemática e escrita técnica. Some-se a isso algo que já é evidente em outras postagens deste blog: eu gosto de testar ferramentas, e a única forma de conhecê-las de fato é usando-as na prática.
Minha primeira interação foi com o Claude Desktop, a opção padrão para a maioria dos usuários. O que mais me surpreendeu foi a aplicação de desktop e, principalmente, poder indicar uma pasta do meu computador para que a ferramenta usasse como contexto de análise.
A migração em si foi tranquila, já que o processo de autenticação do Claude Code é simples. A única parte um pouco chata foi ter que logar nos diferentes computadores em que trabalho. Optei por não exportar meu histórico de perfil e conversas do Gemini para o Claude, para permitir que um ambiente novo, do zero, fosse definido.
Retomando um ponto da postagem “Lição aprendida em fracasso”, onde falo do meu histórico como “colecionador de ferramentas”: o Claude Code não se tornou apenas mais uma ferramenta que passei a usar além das que eu já tinha. Ele substituiu, com o mesmo propósito, a ferramenta que eu já usava, e hoje é a única ferramenta de IA generativa que utilizo no dia a dia. Ainda assim, considero o Claude Code uma ferramenta de apoio importante, e não a parte principal do meu processo de desenvolvimento acadêmico, técnico ou de escrita.
Meu Fluxo de Trabalho Atual
Hoje uso o Claude Code, principalmente, para três coisas: revisar meus conteúdos antes de publicá-los, apontar ideias sobre um material que eu já conheço bem (mas que às vezes não consigo mais avaliar com objetividade) e buscar recursos online semelhantes ao que estou trabalhando no memento. O uso mais frequente, no entanto, é a reestruturação e reescrita do meu material de aula, para que ele use uma linguagem mais interessante para os alunos, desde que a alteração mantenha meu estilo e minha personalidade.
Esse fluxo se encaixa bem na forma como já organizo meu trabalho (veja Como organizo o meu trabalho): consigo deixar a ferramenta executando uma tarefa enquanto me dedico a outra, o que aumenta a quantidade de conteúdo que produzo sem aumentar o tempo que gasto. Isso me permite avançar em duas tarefas ao mesmo tempo, ainda que eu precise revisar tudo o que é produzido. Revisar, na minha visão, exige menos tempo (ainda que mais esforço intellectual) do que produzir do zero.
Dito isso, há um limit que não abro mão de manter: não delego, de forma alguma, a minha escrita inicial nem meus textos de reflexão. Esses são feitos inteiramente por mim; no máximo, a IA revisa, corrige a formatação e melhora a qualidade do texto, mantendo meu conteúdo inalterado (ou com pequenas alterações pontuais).
Para garantir que o resultado final continue sendo meu — e não apenas mais um texto genérico gerado por IA, como já defendi em “Por que estou escrevendo para mim, não (apenas) para você” — mantenho meu estilo de escrita, edito bastante o que a ferramenta produz e busco conexões com ideias que já apresentei ou coletei em outras fontes. Também costumo refletir ao longo do dia sobre um determinado assunto antes de incluí-lo em algum documento que estou escrevendo, ou em alguma produção onde a ferramenta entra em cena.
Um bom exemplo desse fluxo é a própria construção deste post. Depois de escrever o rascunho inicial com a estrutura e as ideias que eu queria contar, pedi ao Claude Code que lesse a postagem e levantasse perguntas para eu refletir, organizadas por seção, cobrindo desde os detalhes práticos (“o que funcionou e o que te limitou no Google Gemini CLI?”) até questões mais amplas sobre autoria e público-alvo. Respondi a essas perguntas com calma, uma a uma, e só depois de ter minhas próprias respostas por escrito voltei ao texto para incorporá-las. O parágrafo que você está lendo agora foi escrito exatamente seguindo esse processo: a pergunta veio da ferramenta, a resposta e a decisão de como contar essa história vieram de mim.
Conclusão
O que mudou de fato, do meu primeiro contato até hoje, não foi apenas a ferramenta, mas a minha forma de trabalhar. Essas ferramentas foram incorporadas ao meu processo criativo, à minha geração de ideias e à forma como produzo conhecimento. Ainda mantenho o controle sobre a maior parte do processo, mas percebo que, aos poucos, especialmente em tarefas repetitivas e com pouca exigência intellectual, tenho delegado cada vez mais à ferramenta.
Se você é professor ou pesquisador e está começando a usar o Claude Code agora, meu conselho é simples: experimente a ferramenta, conheça suas funcionalidades e usos, e observe onde ela realmente se encaixa no seu dia a dia. Isso importa ainda mais dado o volume de informação com que lidamos e a forma como lidamos com conhecimento e ideias. Aos poucos, você vai entender qual é o lugar mais adequado para essas ferramentas e onde precisa manter o controle, mesmo que isso não seja o caminho mais eficiente.
Acredito que, aos poucos, vou compreender melhor como delegar minhas atividades burocráticas às ferramentas de IA, para ter mais tempo disponível para as atividades que considero principais: a orientação, o atendimento aos alunos e as aulas presenciais, do ponto de vista professional, e a escrita e a reflexão, do ponto de vista pessoal.
E você?
Já parou para mapear, na sua própria rotina, o que delega para uma ferramenta de IA e o que faz questão de manter só seu? Onde você definiria esse limit?
🔗 Conexões & Contexto
- Tema Principal: Evolução no uso de ferramentas de IA generativa — do primeiro contato acadêmico ao fluxo de trabalho atual com o Claude Code.
- Notas Alimentadoras: