Episódio

Link: https://www.youtube.com/watch?v=wDi5MFPOqIA

Descrição

Às vésperas do 1° de agosto, data em que as tarifas de 50% entrariam em vigor, Donald Trump publicou o decreto que determina as regras da medida. E o que se viu no texto foi a repetição de um roteiro já conhecido: depois de seguidas ameaças ao Brasil, o presidente americano adiou o início das tarifas para 6 de agosto e oficializou uma lista com quase 700 produtos isentos da cobrança. O tarifaço veio esvaziado. Pouco antes do recuo comercial, no entanto, o governo dos EUA impôs sanções a Alexandre de Moraes. Ao anunciar a Lei Magnitsky contra o ministro do STF, Trump agravou a níveis inéditos a crise política e diplomática contra o Brasil, ao citar o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro e os interesses das big techs. Essa lei, originalmente criada para punir ditadores, bloqueia bens que eventualmente Moraes tenha nos EUA. O ministro também não pode realizar transações com cidadãos e empresas nos EUA. Para explicar os significados do tarifaço esvaziado e da ofensiva de Trump contra o ministro do Supremo, Alan Severiano recebe Guilherme Casarões. Professor da FGV-SP e pesquisador do Observatório da Extrema Direita, Casarões responde sobre os efeitos econômicos e simbólicos do recuo tarifário imposto pelos EUA. Ele também comenta a gravidade da ofensiva do presidente americano contra as instituições brasileiras.

Notas

  • Cerca de 700 produtos ficarão de fora das novas tarifas impostas por Donald John Trump ao Brasil.
  • Na primeira carta de Donald Trump ao Brasil ficou claro que havia dois focos principais: o primeiro é relacionado a Jair Bolsonaro e o segundo relacionado a Alexandre de Moraes. Isso fica claro tanto na carta, quando nos pronunciamentos de Donald Trump após a carta e também agora no decreto firmado. Fica claro que a agenda é mais política do que econômica.
  • A visão de mundo de Donald Trump é de que em uma negociação sempre há ganhadores e perdedores, não existe opção de negócios bons para todas as partes.
  • Há uma questão geopolítica que não foi pronunciada até o momento mas que em certa medida fica claro que é o seguinte: a américa é o quintal dos Estados Unidos e os avanços, especialmente da China, devem ser podados. Isso também tem relação com a posição cada vez mais importante do Brasil na América Latina.
  • Entidades brasileiras representativas de setores produtivos continuam defendendo o diálogo com o governo americano para reversão das tarifas e abertura para negociações. Essas entidades continuam atuando de forma a tentar conseguir um acordo melhor.
  • Parece que apenas os produtos que não são facilmente substituídos na cadeia produtiva americana é que foram liberados das tarifas.
  • Estamos no momento de maior crise bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
  • Sempre existiu uma assimetria entre os Estados Unidos e outros países. Entretanto, o presidente Lula deixa claro que se sente desrespeitado. Além disso, as ferramentas que o executivo dispõe não podem resolver os pedidos dos Estados Unidos.
  • Todas as cartas do governo americano parecem ter sido jogadas na mesa e feitas de forma rápida. Parece que agora o Brasil pode avaliar os possíveis dados e tentar planejar o que fazer com base nisso.
  • A Lei Magnitsky foi promulgada durante a presidência de Barack Obama. A lei atua principalmente para dificultar ações financeiras entre indivíduos e empresas americanas.
  • Para Alexandre de Moraes parece que não há muita coisa que mudará visto que ele já estava com o visto vencido e não possui bens na dinheiro/recursos nos Estados Unidos.
  • É raro ver a aplicação de sanções contra autoridades de primeiro escalão como é Alexandre de Moraes, ministro da suprema corte do Brasil.
  • Agente nunca tinha visto o Estados Unidos realizarem uma movimentação desse tamanho para tentar alterar decisões de judiciais de outros países.
  • O ataque ao Brasil tem claramente uma função política e de suporte ao apoio a movimentos de extrema direita espalhadas pelo mundo. O interesse ai parece em garantir uma liberdade de expressão irrestrita. Além disso, também está posto na mesa a defesa de empresas de tecnologias americanas.
  • É preciso continuar a tentativa de diálogo entre o executivo brasileiro e o governo americano. Já do ponto de vista do judiciário, é preciso garantir que as investigações e trabalho da instituição continuem.

Minha Experiência

Meus comentários

Fica claro que as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil é muito mais um ataque político do que comercial. Isso fica evidente após uma série de medidas e pronunciamentos feitos por Donald John Trump deste a reunião dos BRICS até o presente momento. Fica claro que não só os Estados Unidos vê que a America Latina deve ser o seu quintal como os interesses da extrema direita e das grandes empresas de tecnologia são os principais elementos na atuação do presidente americano.