Episódio

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Descrição

Convidado: Filipe Figueiredo, historiador pela USP, colunista do jornal O Estado de São Paulo e criador do podcast Xadrez Verbal. Com a maior estrutura militar do planeta, há décadas os Estados Unidos transformaram seu poder bélico em instrumento de política externa. Em nome da segurança nacional e de interesses estratégicos, Washington atuou – direta ou indiretamente – para intervir na política de outros países ao redor do globo. Os resultados deixaram rastros de instabilidade e crises duradouras. A exemplo do que aconteceu no Iraque, no Irã e no Afeganistão, onde a ocupação americana durou duas décadas. Agora, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que a intervenção na Venezuela não tem data para terminar – e vai durar até um processo de transição de poder. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com o historiador Filipe Figueiredo. Colunista do jornal O Estado de São Paulo e criador e apresentador do podcast Xadrez Verbal, Filipe relembra o que levou às invasões de países na América Latina e no Oriente Médio – e responde como o Make America Great Again dá uma nova roupagem ao processo de intervencionismo americano. Ele explica o que deu errado em uma série de processos de intervenção e, por fim, traça um paralelo entre as invasões do Iraque e da Venezuela

Notas

  • Exemplos mais icônicos das intervenções americanas em outros países incluem Iraque, no Irã e no Afeganistão. Entretanto, há outras intervenções como no Panamá e mais recentemente na Venezuela.
  • O Make America Great Again é indica que a América foi grande uma vez e que deveria voltar a ser grande. Grande aqui vai além de apenas o nível de poder econômico.
  • A Doutrina Monroe apresente especialmente que a América Latina é zona de influência dos Estados Unidos.
  • Grupos separatistas no Panamá foram financiados pelos Estados Unidos para que posteriormente o canal do Panamá fosse construído.
  • Noriega começa a tentar nacionalizar o canal do Panamá e então há uma intervenção americana para demonstrar que o canal é parte da influência dos Estados Unidos.
  • O Irã é um epicentro da história da exploração de petróleo, que é abundante, de fácil extração e boa qualidade, além de estar localizado em uma zona importante de comércio/tráfego de produtos. O governo parlamentarista do Irã decide nacionalizar as reservas de petróleo. Este é deposto, com ajuda dos EUA e Inglaterra, para a implantação de um monarquia autoritária. Esse governo, durante a guerra fria, vai ser pró Estados Unidos, até que a Revolução Iraniana aconteça.
  • No caso do Afeganistão após o 11 de Setembro teve autorização pela ONU para uma ação por meio dos Estados Unidos e seus aliados. Isso é diferente do caso atual na Venezuela.
  • Com a saída dos Estados Unidos do Afeganistão, o Talibã volta a dominar o setor político, seguindo um regime duro e pesado.
  • O próprio Donald Trump indicou em entrevista que ele não precisa seguir direito internacional, mas apenas o julgamento moral dele mesmo. Neste sentido, há uma série de posicionamentos que indicam que isso é mais do que apenas a fala de Trump.
  • Na Groelândia é pouco provável que haja uma demonstração de força, mas sim uma demonstração de poder, seja ela econômica ou política.
  • Na Venezuela, enquanto a situação for conveniente para os Estados Unidos (não ação de outros estados e também aceitação dos grupos venezuelanos) o mesmo não deve fazer grandes ações na região.
  • Destaca-se que este ano teremos eleições na Colômbia e no Peru, que pode fazer com que governos eleitos pressionem para que Venezuelanos nestes países retornem a Venezuela.
  • É pouco provável que haja uma reversão do que aconteceu na Venezuela, mesmo que políticos da oposição venham a ganhar as eleições e a maioria no congresso americano.

Minha Experiência

Meus comentários

Os movimentos americanos recentes são mais uma demonstração de poder (político, econômico e militar) dos Estados Unidos em intervenções em outros países. Nesta ação mais recente na Venezuela, fica claro que os Estados Unidos volta a ter foco na América Latina e que suas políticas não deverão ser revertidas, mesmo que grupos políticos opositores a Donald Trump venham a ser eleitos e/ou ampliem suas posições no congresso americano.