Episódio

Link: https://www.youtube.com/watch?v=tTEm8H1oLXE

Descrição

A Austrália já proibiu menores de 16 anos nas redes sociais. A França vai na mesma direção. No Brasil, a lei do ECA Digital, em vigor desde o fim do ano passado, obriga plataformas digitais a garantir espaço seguro a crianças e adolescentes, o que pode restringir a presença desse público nas redes sociais. Em entrevista ao Deu Tilt, podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Isabella Henriques, diretora executiva do Instituto Alana, explica como mudou a percepção do mundo sobre as redes sociais após sociedade, família e organizações sociais lutarem durante anos para conscientizar governos e reguladores de que esses ambientes não são feitos para crianças. Há mais de duas décadas, o Alana atua no debate público para a construção de um ambiente digital mais saudável para crianças e adolescentes. “Como um produto, que é colocado no mercado e utilizado massivamente por crianças e adolescentes, não foi pensado, no seu planejamento e ao longo da sua vida útil, no impacto que ele terá para esse público”, conta ela. Para exemplificar como esses ambientes digitais reservam verdadeiras armadilhas para os baixinhos, ela detalha os riscos escondidos nessas plataformas, conhecidos como “quatro Cs”: conduta, conteúdo, contrato e contato. Com a maior presença dos jovens nas redes sociais e a entrada deles cada vez mais cedo —alguns com bem menos que 6 anos—, esses fatores de risco se intensificam e viram danos graves à saúde física e mental dos mais novos. As plataformas até oferecem a pais e mães ferramentas de supervisão, mas elas não resolvem o problema estrutural, já que o design das plataformas segue priorizando retenção de atenção e lucro. E no Brasil há um fator complicador: a desigualdade socioeconômica. “Maiores vulnerabilidades na vida offline estão conectadas a maiores vulnerabilidades na vida online”, ressalta. Muitas famílias não conseguem sequer acessar as ferramentas de controle parental. Num ambiente assim, diz a especialista, apenas a regulação é capaz de equilibrar a relação desigual entre crianças e empresas de tecnologia.

Pais e mães podem até não saber, mas crianças já são usuárias entusiasmadas da Inteligência artificial generativa. O uso não é um problema, pois o desafio mesmo é em que condições esse contato ocorre, afirma a diretora executiva do Instituto Alana. As pesquisas até mostram como os mais novos interagem com a IA, que vai das tarefas escolares a relacionamentos íntimos com as máquinas. Sem formação digital ou mediação por parte de responsáveis ou de professores, esse contato pode estar sujeito a manipulação emocional. “A proposta não é afastar crianças da tecnologia, mas garantir que elas possam usufruir da internet e da IA de forma saudável”, afirma Isabella. Isso exige responsabilidade compartilhada entre empresas, poder público e sociedade. A ideia é recuperar para a IA o sonho coletivo que marcou a criação da internet: um espaço seguro, criativo e positivo para crianças. É nesse ponto que o debate vira prática. Isabella cita o hackathon promovido por Alana e Universidade de São Paulo, focado em criar soluções para educação de pessoas com deficiência. Os resultados mostram que quando a sociedade participa do debate tecnológico, a inovação deixa de ser exclusividade das empresas e passa a responder a necessidades reais.

Uma empresa de tecnologia dos Estados Unidos resolveu responder a uma pergunta curiosa: plataformas de IA podem apresentar valores cristãos? No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz respondem a pergunta. A responsável pela pesquisa é a Gloo, que cria produtos tecnológicos voltados para igrejas. Ela criou um benchmark para medir o nível de conhecimento espiritual e cristão das IAs. A régua avalia sete dimensões diferentes, que vão desde familiaridade com conceitos bíblicos até a capacidade de responder a dilemas morais a partir de uma visão cristã. A partir disso, a empresa montou um ranking das plataformas mais “cristãs”. O resultado surpreendeu. O primeiro lugar ficou com o Qwen, modelo de linguagem da chinesa Alibaba, enquanto o último foi o Grok, IA de Elon Musk, empresário conhecido por suas posições conservadoras.

Minha Experiência

Meus comentários

Discutir cada vez mais os impactos das redes sociais na saúde mental e física de crianças e adolescentes é fundamental para que tanto os pais e responsáveis estejam munidos de informações de qualidade para educarem seus filhos quanto para que a sociedade possa cobrar de maneira adequada que as empresas de tecnologia realizem ações para mitigar possíveis dados e riscos. Além disso, me parece que este debate deve ser ampliado para o uso de Inteligência artificial por crianças e adolescentes visto que essa é uma iteração cada vez mais presente. Como futuro pai, acredito que esse é um debate importante e que exige ação coordenada e integral da sociedade.