🎧 Nossa Senhora da República

Em poucas palavras

Entrevistados: Luísa Martins, repórter da Folha, e Rodrigo Toniol, professor de antropologia da UFRJ.

Na reta final da campanha, circularam nas redes conteúdos associando o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta iniciativa contra Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A origem é um projeto de lei antigo, de 2007, de outro deputado — e o caso virou disputa sobre desinformação e liberdade de expressão.

A campanha de Flávio conseguiu no TSE uma ordem de André Mendonça para remover as publicações, entre elas um post do humorista Antonio Tabet. Flávio Dino, do STF, suspendeu a decisão e mandou restabelecer os posts, abrindo mais um atrito entre as duas cortes.

O Café da Manhã desta terça-feira (29) explica como surgiu um “caso Nossa Senhora Aparecida” em meio à corrida eleitoral, o que ele revela sobre o uso político de temas religiosos e como foi parar no centro de mais uma briga no Judiciário.


📝 Notas e Insights

De onde vem o boato

  • A base é o PL 2.623/2007, do então deputado Professor Victório Galli (MT), que trocava “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos” na Lei 6.802 de 1980. Foi rejeitado na Comissão de Educação e Cultura e arquivado em agosto de 2008.
  • Galli depois se aproximou do bolsonarismo; o projeto já tinha sido usado contra Jair Bolsonaro na campanha de 2022.
  • Flávio negou ter qualquer projeto sobre o tema e chamou as acusações de desinformação do PT. A CNBB divulgou nota negando participação nos conteúdos.

O post de Tabet e a disputa judicial

  • O post de Antonio Tabet trazia a imagem da santa e dizia que a “família miliciana” odiava tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida — sem citar Flávio pelo nome.
  • André Mendonça, vice-presidente do TSE, atendeu a campanha e mandou tirar do ar mais de mil publicações, inclusive conteúdos relacionados.
  • Flávio Dino acolheu pedido de Tabet, suspendeu a decisão e mandou restabelecer os posts: não daria para ver, na postagem, certeza de ilegalidade sem o devido processo.
  • A campanha recorreu a Luiz Fux para suspender a decisão de Dino e levar o caso ao plenário do STF.

Contexto: STF × TSE

Na segunda (28), o presidente do STF, Edson Fachin, se reuniu com membros do TSE para discutir a competência sobre remoção de conteúdo de campanha. Parte do STF viu na decisão de Dino uma invasão da competência eleitoral; uma ala do TSE fala em “união entre STF e governo” contra o tribunal. O episódio foi ao ar a cinco dias do primeiro turno das Eleições Presidenciais de 2026.

Religião como arma eleitoral

  • O recorte de Rodrigo Toniol trata dos usos políticos de temas religiosos: o boato mobiliza o eleitorado católico contra um candidato cuja base é fortemente evangélica.

Para acompanhar

  • O recurso de Flávio a Fux e se o caso vai ao plenário do STF.
  • O resultado da conversa Fachin–TSE sobre quem decide remoção de posts de campanha.

💭 Minhas impressões


📚 Referências e Fontes

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🌐 Referências Externas