🎯 Sistema Ciber-Físico
Em poucas palavras
Um sistema ciber-físico (CPS, do inglês cyber-physical system) integra computação e processos físicos em laço fechado: sensores medem a planta, algoritmos estimam o estado e decidem, e atuadores agem sobre ela. O comportamento depende tanto da parte computacional quanto da física, por isso não dá para entendê-lo olhando só o software ou só a planta. É o outro lado da moeda da Internet das Coisas, com ênfase em tempo real, controle e garantias de segurança.
📝 Notas e Desenvolvimento
- Origem do termo: cunhado por volta de 2006 por Helen Gill, da National Science Foundation (NSF), dos Estados Unidos. Em outubro de 2006, a NSF organizou em Austin (Texas) um workshop sobre o tema.
- Ideia comum às definições: computação e física acopladas em laço fechado. As três definições usadas em PEL 220 (Lee e Seshia; NSF; NIST) estão em Citações Diretas.
- O laço de um CPS:
- O processo físico é medido por sensores (amostragem), o estado é estimado, a decisão gera comandos e os atuadores agem.
- Quando o laço passa por uma rede, como na IoT, entram atraso, perda de pacotes e variação do atraso (jitter).
- Num laço de controle, latência não é só desempenho: é estabilidade. Com frequência de cruzamento de 1 rad/s, um atraso de 0,2 s consome cerca de 11,5° da margem de fase.
- Regra prática de amostragem: 4 a 10 amostras por tempo de subida do laço fechado (Åström e Wittenmark, 1997). Ver também o Teorema da amostragem de Nyquist-Shannon.
- CPS × IoT — duas comunidades, um mesmo território:
| Tradição IoT | Tradição CPS | |
|---|---|---|
| Ênfase | conectividade e escala | controle, tempo real e garantias formais |
| Origem | redes, Internet e sistemas de informação | sistemas embarcados, controle e automação |
| Pergunta típica | como interoperar e escalar? | o laço é estável e seguro? |
- CPS × sistemas embarcados: o CPS destaca o vínculo intenso entre os elementos computacionais e físicos; o sistema embarcado põe o foco na parte computacional.
- Gêmeo digital: ocupa o lado ciber do CPS como contraparte virtual sincronizada do ativo físico, e não como uma “camada” a mais (Tao et al., 2019). Ver Gêmeo Digital.
- Exemplos e o que cada um exige:
- Veículo autônomo: decisões em dezenas de milissegundos e segurança funcional (ISO 26262).
- Robô colaborativo: ciclos de cerca de 1 ms e contato seguro com pessoas (ISO/TS 15066). Ver Robótica.
- Rede elétrica inteligente: proteção em poucos ciclos da rede.
- Bomba de insulina em malha fechada: leitura de glicose a cada 5 minutos, com o Monitoramento Contínuo de Glicose, e segurança do paciente.
- Estufa, o caso-guia de PEL 220: controle por histerese ou preditivo, em escala de minutos, e capacidade de funcionar sem rede.
- Modelagem formal: o comportamento pode ser modelado como autômato híbrido, que combina estados discretos (como numa Máquina de estados finitos) com dinâmica contínua. Propriedades de segurança são verificadas com invariantes.
- Arquiteturas de referência:
- O NIST CPS Framework organiza o sistema em três facetas (conceitualização, realização e garantia) e nove aspectos. O aspecto tempo é o que separa um CPS de um sistema de informação.
- Do lado da IoT: ISO-IEC 30141-2024 e Arquitetura de Referência - IoT-A. Na indústria, o RAMI 4.0.
📚 Referências e Fontes
🔗 Conexões do Cofre
- Disciplina: PEL220 - Internet das Coisas e Gêmeos Digitais
- Conceitos:
🌐 Referências Externas
- LEE, E. A.; SESHIA, S. A. Introduction to embedded systems: a cyber-physical systems approach. 2. ed. Cambridge: MIT Press, 2017.
- ALUR, R. Principles of cyber-physical systems. Cambridge: MIT Press, 2015.
- ÅSTRÖM, K. J.; WITTENMARK, B. Computer-controlled systems: theory and design. 3. ed. Prentice Hall, 1997.
- TAO, F. et al. Digital twins and cyber–physical systems toward smart manufacturing and Industry 4.0. Engineering, v. 5, n. 4, p. 653–661, 2019.
- Framework for Cyber-Physical Systems, vol. 1 • NIST SP 1500-201
- Cyber-Physical Systems • Ptolemy Project, UC Berkeley
- NSF Workshop on Cyber-Physical Systems (2006) • CPS-VO
- Cyber-physical system • Wikipedia